Estação Carandiru
Companhia das LetrasR$ 21,76
Ficha técnica
Sinopse
O médico Drauzio Varella relata dez anos de atendimento voluntário na Casa de Detenção de São Paulo, o maior presídio do Brasil, e mostra como um código penal não-escrito organizava o comportamento da população carcerária.
Em 1989, o médico Drauzio Varella iniciou na Detenção um trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Entre os mais de 7200 presos, conheceu pessoas como Mário Cachorro, Roberto Carlos, Sem-Chance, seu Jeremias, Alfinete, Filósofo, Loreta e seu Luís. Não importava a pena a que tinham sido condenados, todos seguiam um rígido código penal não escrito, criado pela própria população carcerária. Contrariá-lo poderia equivaler à morte.
O relato de Drauzio Varella neste livro tem as tonalidades da experiência pessoal: não busca denunciar um sistema prisional antiquado e desumano; expressa uma disposição para tratar com as pessoas caso a caso, mesmo em condições nada propícias à manifestação da individualidade.
Lançado em 1999 e transformado em filme em 2003, por Hector Babenco,
Estação Carandiru recebeu o Prêmio Jabuti 2000 de livro do ano e, desde então, já vendeu centenas de milhares de exemplares.
Especificações do produto
- Autor (a)Drauzio Varella
- GêneroDireito, Política e Ciências Sociais
- EditoraCompanhia das Letras
- Páginas232
- Ano2005
- Edição1ª
- IdiomaPortuguês
- ISBN9788580864250
- Tamanho0.69MB
- Idade indicadaLivre
Resenhas no
Resenha com spoilers
É um livro pesado, mas muito real, contado com uma narrativa fluída, às vezes com humor e às vezes com pesar, sobre o dia a dia dos presidiários, como funciona um presídio e o trabalho humanitário desenvolvido com os encarcerados pelo Dr. Drauzio.
Resenha com spoilers
Estação Carandiru (1999) na voz de Dráuzio Varella
O livro Estação Carandiru narrado por Dráuzio Varella merece releitura sobre o seu trabalho como médico voluntário e um antropólogo desvendando o funcionamento real e as relações entre as diferentes hierarquias de presos desde 1989 na Casa de Detenção, próxima à estação de metrô Carandiru e termina com o relato do Massacre.
"Só podem contar o que se passou daí em diante, como diz o dr. Pedrosa [diretor na época]:
— A PM, os presos e Deus.
Ouvi apenas os presos. Segundo eles, tudo aconteceu como está relatado a seguir:
[... capiO Levante, O Aqtaque e O Rescado]
No dia 2 de outubro de 1992, morreram 111 homens no pavilhão Nove, segundo a versão oficial. Os presos afirmam que foram mais de duzentos e cinquenta, contados os que saíram feridos e nunca retornaram. Nos números oficiais não há referência a feridos. Não houve mortes entre os policiais militares." - Dráuzio Varella
Resenha com spoilers
Saúde, dignidade e vozes do cárcere
Estw livro consegue dar rosto e nome a uma população sistematicamente esquecida pelo Estado: majoritariamente preta, pobre e privada de direitos.
Ao registrar histórias individuais, o Drauzio resgata memórias que provavelmente seriam apagadas pelo tempo e pela indiferença social, rompendo com a lógica que transforma pessoas em estatísticas anônimas.
A obra evidencia como o sistema judiciário contribui para o silenciamento dessas vozes, por meio de prisões prolongadas, penas desiguais e naturalização da violência institucional. Nesse contexto, os diálogos honestos e diretos sobre saúde e conscientização surgem como atos de resistência, capazes de devolver dignidade, preservar vidas e mostrar que ouvir, nomear e cuidar pode, sim, transformar realidades marcadas pelo abandono e pela exclusão.
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